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Quinta do Arrife: quando o ambiente é um passo para a integração social
2010.06.12
A unir os concelhos de Alcanena e Santarém, na freguesia de Amiais de Cima, está a Quinta do Arrife, um espaço de 62 hectares, pertencente à Casa Pia de Lisboa, que se dedica à animação e educação agro-ambiental. Centenas de crianças, quer utentes da Casa Pia, quer de instituições escolares do exterior, passam por ali semanalmente.

Aprendem a tratar dos animais, a fazer pão, queijo ou manteiga, seguem o percurso de uma abelha, andam de burro ou pintam através de métodos ecológicos. Sempre com o objectivo do desenvolvimento da sua personalidade e da integração social.

O JT foi fazer uma visita à Quinta do Arrife e, aproveitando a boleia de dois grupos que visitavam o espaço naquele dia, ficou a conhecer um pouco do que por ali se faz e para quem. Um grupo de alunos da uma escola de ensino básico de Vale de Santarém visitava a Quinta do Arrife para desenvolver o seu programa ”Arrife. A arte do ambiente”, um sub-programa da vertente de educação ambiental. No mesmo dia, chegava da outra margem, para lá de Lisboa, uma visita de crianças utentes da Casa Pia e respectivos pais, num projecto dedicado à aproximação das famílias. Nesse mesmo dia, à tarde, chegariam ainda outros dois grupos, esses para passar o fim-de-semana: tratava-se um grupo de surdos e cegos, da Casa Pia de Lisboa, que beneficiam de programas adaptados à sua condição e um outro grupo de professores e educandos proveniente do centro de Pinamanique, para dois dias de actividades com vista ao estabelecimento de laços de equipa. A heterogeneidade dos grupos que visitaram a quinta naquela sexta-feira foi um bom ponto de partida para perceber melhor a dimensão do trabalho ali efectuado.

A Quinta do Arrife começou por ser, em 1997, um colégio dedicado à agricultura, com vertente de ensino e internato. Com a reestruturação da Casa Pia de Lisboa, em 2006, os vários equipamentos do instituto público especializaram-se, ficando a Quinta do Arrife com a única e grande tarefa de se dedicar à animação e educação ambiental. Juntamente com a colónia de férias de Areia Branca e com a Quinta da Matela, em Penalva do Castelo, constituem o Centro de Educação e Desenvolvimento Francisco Margiochi (CEDFM).

Os primeiros utentes daquele espaço são os educandos da Casa Pia de Lisboa, mas na sua perspectiva de abertura ao exterior, a utilização do espaço não se esgota nos utentes daquele instituto público. Os alunos dos municípios de Alcanena e Santarém, com quem a instituição tem protocolos, são outros dos principais visitantes da quinta e fazem-no de forma gratuita. É intenção de Jorge Duque, director do CEDFM, assumir protocolos com os municípios de Rio Maior e Torres Novas ainda este ano e no próximo, respectivamente. Também crianças e idosos fora destes protocolos podem visitar a quinta, havendo para tal um preçário aprovado pelo conselho directivo da Casa Pia de Lisboa.


Educação e animação

A Quinta do Arrife dedica-se, essencialmente, a duas vertentes: a educação e a animação. A primeira, mais ligada aos programas curriculares desenvolvidos pelas escolas, realiza-se de terça a sexta-feira, durante os períodos lectivos. Já a vertente de animação tem uma componente lúdica e resume-se a actividades realizadas aos fins-de-semana e em pausas lectivas, com especial procura nos campos de férias dos meses de Julho e Agosto. Estas actividades de animação têm uma maior expressão nos educandos da Casa Pia. É, segundo diz Jorge Duque, uma mais-valia que a Casa oferece aos jovens nos meses de Verão. Mas havendo vagas, aceitam-se inscrições de outras instituições, especialmente quando ligadas à intervenção social: ”Enquanto instituto público de intervenção social, estes campos de férias são especialmente dedicados a instituições que trabalham com a intervenção social. Estas actividades ficam extremamente caras e não fazia sentido estar a Casa Pia a fazer este investimento, a preços baixos, para privados”, explicou Jorge Duque.

Habitualmente, os campos de férias no CEDFM constam de uma semana na Quinta do Arrife e outra na Areia Branca. Com as obras naquele espaço de praia, os 15 dias serão passados no ”Arrife”, com a realização de uma série de actividades no exterior da mesma. Uma residência com capacidade para acolher 18 pessoas e um parque de campismo com capacidade para 36 permitem este trabalho dos campos de férias.

Cada uma das vertentes (animação e educação) divide-se em dez sub-programas, sendo que os utentes podem escolher qual se adequa mais às suas necessidades ou interesses. Cada sub-programa corresponde a um preenchido dia de actividades, que podem ir desde ateliês de pintura, oficinas de papel, passeios de burro, confecção de pão, manteiga ou queijo, até cuidar dos animais, actividades de laboratório, oficinas de apicultura, anilhagem de aves, criação de caixas de ninho, btt, entre inúmeras outras possibilidades, sempre com o ambiente e a agricultura na sua génese.

As suas estufas permitem a produção agrícola, estando a gestão das mesmas entregues a uma empresa certificada na agricultura biológica. A produção é escoada única e exclusivamente na quinta, quer através das refeições, quer através da confecção de doçaria da época. Os animais, burros, galos, coelhos, vacas, ovelhas, cabras, são as raças autóctones da região.


História

A Quinta do Arrife foi doada à Casa Pia de Lisboa na década de 70 por um casal residente em Monsanto. Com uma grande tradição urbana (a Casa Pia de Lisboa faz este ano 230 anos de intervenção), a gestão da instituição ficou sem saber o que fazer com o espaço. Entretanto, este passou já por diversas fases: iniciou o seu trabalho dedicado ao ensino, ligado a um outro colégio em Lisboa. Não sendo autónomo, em termos de gestão era difícil gerir um espaço tão longe do poder de decisão. Em 1997 foi contemplado na nova Lei orgânica e começou a preparar-se para ser um colégio autónomo, juntamente com a infra-estrutura da Areia Branca e da Matela. Com a reestruturação em 2006, transformou-se numa quinta pedagógica.

Jorge Duque, natural de Torres Novas, dirige a Quinta do Arrife desde 1997. Com ele, uma equipa de mais de 20 pessoas, entre técnicos superiores e assistentes operacionais, levam por diante o projecto da Quinta do Arrife.


PIPAS

Se todos os projectos desenvolvidos pela Quinta do Arrife estão abertos à comunidade exterior, há um que se destina apenas a educandos da Casa Pia de Lisboa. O PIPAS – Projecto Integrado de Prevenção de Abusos Sexuais - surgiu na instituição depois da problemática que a assolou. É, como o próprio nome indica, um projecto integrado entre as várias unidades da Casa Pia que, na Quinta do Arrife, se traduz num dia de actividades em contexto real, na ”quinta do queria ser”. O projecto dedica-se ao pré-escolar e primeiro ciclo e pretende incutir nas crianças uma série de competências nas áreas da reprodução, higiene, papéis e géneros. Os animais são os protagonistas destas histórias, levando as crianças a ver aplicado na prática o que aprenderam nos seus centros, ao abrigo do projecto.

Lavar os dentes a um burro, dar banho a um animal, observar o parto de uma cria são algumas das actividades que as crianças podem desenvolver na Quinta do Arrife, para perceberem o porquê da importância de lavar as mãos antes de ir para a mesa ou como nasce uma criança, entre outras coisas.

Fonte: Jornal Torrejano

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